Teta Lerda Tonelada

aleatoriedade tá na moda

I just call to say I love you

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Telefone toca insistemente. Um senhor calvo, concentrado em sua labuta, apenas fita o aparelho com os olhos. Depois de ver que ninguém ia atender, resolve fazê-lo.

- Alô?
- Alô – cof cof – O Jorge está?
- Ah sim, só um momento.

O senhor olha para a sala. Vê um outro senhor de bigode, desembaçando os óculos em seu avental.

- É pra ti.
- Pra mim?
- É.
- Estranho.

O bigodudo recoloca os óculos e pega o telefone, ainda estranhando a situação.

- Alô?
- Jorge?
- Hmm – uma pequena pausa, olha para os lados – Sim, sou eu. Diga.
- Ah, que bom. Sou eu. Só liguei pra avisar que estou doente.
- Ah. Algo grave?
- Acho que só um resfriado.
- É, dá pra notar pela voz.
- Então vou avisar que não vou trabalhar.
- Ok, mas passa no médico igual, que vou precisar de um atestado.
- Perfeitamente. Era só isso mesmo.
- Ok. Melhoras.
- Obrigado. Tchau.
- Tchau.

O calvo sorri. O bigodudo o fita por cima dos óculos, testa franzida.

- E então, quem era?
- Sei lá! Ficava me chamando de Jorge.
- Só espero que ele pegue uma gripe de verdade.
- Tava bem fingindo, não é?
- Ô. Muito. Já vi enganções melhores.

Escrito por Caetano

11/25/2009 em 11:40

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tomorrow is just a song away

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Quer saber?

Esse fim de semana me mostrou uma coisa. Que se for para acontecer, o que importa é que eu agora tenho a sensação de dever cumprido. Não vai ser por falta de ter vivido, bad karma, essa merda toda. Tudo que fiz na realidade está voltando, então nada mais me preocupa. Enquanto a notícia ruim não chega, eu vou é continuar tentando. ‘Cause I have pride to be one of the patriots.

E agora me dá licensa que me deu vontade de ouvir Cindy Lauper. Não sem motivo.

Escrito por Caetano

11/16/2009 em 09:44

Publicado em The Patriots

love reign o’er me

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Tá foda.

Toda vez que fecho a porta eu não consigo me despedir. Fico imaginando quando será a última vez. Se vou conseguir fazer isso. Tento pilhar um monte de coisa banal e idiota para não ter que pensar, mas é impossível. Fico inventando qualquer programa de índio só como desculpa para aproveitar o que ainda tenho. Cada dia vai passando e eu vou murchando. Um monte de “serás” vem na minha cabeça. Será que vão me contar as mesmas histórias? Será que vão me ligar de madrugada? Será que vão lembrar de mim ainda?

Eu só queria ter as pessoas que amo por perto. Só isso. Mais nada.

E com isso eu não consigo dormir.

Escrito por Caetano

11/14/2009 em 03:17

Publicado em The Patriots

Here It Goes Again

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Passava das 21h e eu ainda estava trabalhando. Como se chapar em trampo dá cadeia (em qualquer lugar dá cadeia, só que ninguém liga), taquei doses maciças de noise-rock nos ouvidos.
Ali pelas 22h ouço um barulho estranho. Alguém forçando a porta. Já praticamente em transe, fico assustado. Corro para a cozinha do escritório à procura de uma arma. Só encontro uma faca de plástico. E um bolo também, o qual comi um pedaço, coisa que acabei me arrependendo no dia seguinte.
E o vulto continuava a forçar a porta. E eu aguardava ele com uma faca de plástico na mão, limpando a boca de creme. Então o indivíduo destranca a porta. Sim, ele tinha chave. E, saca só, era o meu chefe. E com uma mulher.

- Ué, você por aqui?
- Bem, eu trabalho aqui.
- Mas a essa hora?
- Você me mandou fazer hora extra, lembra?
- Mandei?
- É, mandou.
- Com que direito?
- Você é meu chefe.
- Ah, sou?
- Sim.
- Ah, tá… Então, empregado, escuta só: não diz nada a ninguém do que aconteceu aqui, certo?
- Contar o que?
- Isso – diz o chefe apontando para a mulher.
- Mas porque? Você nem é casado.
- Bem, não conta.
- Não contar que você tem uma vida sexual ativa com mulheres desconhecidas?
- É. Pode, sei lá, gerar fofoca. Não seria bom.
- Tá bom. Não entendi, mas tudo bem. Posso ir embora?
- Não. Vai na cozinha e faz um dry martini pra mim.
- Porque?
- Porque eu sou seu chefe.
- Mas eu trabalho no setor de arte.
- Hmm… então pinta um quadro pra mim com essa gostosona aí.
- Eu temo que não posso fazer isso.
- Por que?
- Porque eu não sei desenhar.
- Oh, que pena. Então podes ir.
- Certo.

Cheguei no outro dia e o chefe tava de dreadlock, curtindo Jack Johnson.

Escrito por Caetano

11/12/2009 em 18:38

Publicado em Recauchutadas

Vâmo brincá de lutinha

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(Essa história é velha, mas eu adoro ela e sempre tento publicar de novo. Gosto dela pelo simples fato de que ela é real)

Era cedo da manhã. E o Sandro tinha muita carta para entregar. Vestiu o uniforme, tomou o café, beijou as crianças, fumou um, botou a sacola cheia no ombro, e foi trabalhar. A sacola pesava. “Deve tá cheio daqueles impressos da Graziottin ou da Magazine Luiza”, pensou ele. “Ninguém mais manda carta, só esses impressos idiotas. Gasto de dinheiro, gasto de romantismo, esse mundo tá uma merda. Tenho que parar de apertar de manhã cedo, tá afetando meu juízo”.
Logo que passou da pracinha do bairro, avistou um velho conhecido: o Pin, o alemão de cara tostada de sol. Sentado nas escadas, com sua regata furada de sempre, um moleton em desuso do lado, e a garrafa de cachaça camponesa, aquela que nem cachaça de verdade é, parece mais bebida de presidiário. Ficou surpreso. Aquele não era o horário em que caras como o Pin ficavam na rua. Principalente acordados.

- Caralho, Pin, que tá fazendo à essa hora aqui? Porra, são seis da manhã!
- Tô esperando um diabinho. Me prometeu de morte ontem. Disse que não tinha macho na sommer prá batê nele.
- E tá esperando desde que hora?
- Ah, sei lá, perto das dez.
- DA NOITE?
- Arrã.
- Tá, e que tu vai fazer quando ele chegar?
- Marquei uma luta livre com ele.
- E desde quando tu sabe luta livre?
- Ahã, Diabus! Mas por isso tô com o meu facão aqui no meu moleton, se ele esquentá, pego o facão e vô pro estoro, laranjão mil grau.
- Ah, boa sorte com isso então. Tô indo.
- Ô, Sandrão, paga um aê.
- Um o que?
- Um brek, ué. Paga pá nóis aí.
- Eu não, baseado é meu, cacete. Te vira e pega o teu.
- Deixa de ser assim, rapá.
- Vá brigar com o maluco lá. Eu vou embora.
- E a minha erva?
- Soca na bunda.

Escrito por Caetano

11/06/2009 em 15:34

Publicado em Recauchutadas

Escape From Ohio

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Doía.

As costas, as pernas, a cabeça, tudo. Abriu os olhos.

Reconhecia o lugar. Mas não era o lugar mais propício para se acordar. Era uma rodoviária. Fez a coisa mais sensata que se pode fazer em uma situação dessas.

Voltou a dormir.

Mas acordou de novo, no mesmo lugar. Ok, algo estava errado. Viu se estava tudo no lugar. Estava. Ficou sentado tentando se recompor, mas foi interrompido por um barulho irritante. Reconhecia esse som. Era “macarena”. Trouxe péssimas recordações. Mas de onde vinha essa música terrível?

Do seu bolso.

Colocou a mão no bolso e viu que tinha um celular, desses bem simples, no máximo deve ter o jogo da cobrinha. Seu celular ele havia deixado em casa. Estava com medo de atender, mas a vontade de fazer macarena parar de tocar falou mais alto.

- Alô?
- hihihihi
- Eu disse: alô?
- Ah, alô!

Era a voz de um adolescente gordinho, pensou ele. Só podia ser trote.

- Olha, amigo, se esse celular é seu, eu estou aqui na rodoviária e posso entregá-lo, ok?
- Me chamou de amigo… hihihihihi.

Se já não tinha graça, estava ficando pior.

- Você é o dono desse celular?
- Sim.
- Quer ele de volta?
- Não.
- Hum, tá. Quem é você?
- Sua consciência.
- Ok, sua consciência, o que o senhor quer?
- Quero lhe fazer uma pergunta.

Lá vem.

- Faça logo.
- Você quer ser meu amiguinho?
- Não.

Desligou o telefone. Estava pronto pra jogar ele fora quando tocou de novo. Que música irritante!

- O que é agora?
- Tá bom, exagerei, não sou sua consciência.
- Eu sei, matei minha consciência em 97. Quem é você, afinal?
- Sou só uma pessoa solitária.
- E onde eu entro nisso?
- Ontem você disse que seria meu amigo.
- Eu disse isso?
- Sim.

Tentou lembrar o que fez na noite passada. Apareciam em sua mente seios, drogas, cachorros, dinheiro, luzes, mendigos, tudo fora de ordem. Não deu.

- Tá, ok, eu devo ter dito isso, mas por qual motivo você quer tanto ser meu amigo?
- Porque eu achei você legal.
- Tá bom, eu sou seu amigo.
- Ê!
- Vai fazer o que com isso agora?
- Vou cantar! CHOOORANDO SE FOOI QUEM UM DIA SÓ
- Chega!
- Tá. Você gosta de pudim?
- Sim.
- Gosta de asfalto?
- Hã? Sim, eu acho.
- Gosta de collies?
- Sim.
- Gosta do Luciano Huck?
- Não, pra que tanta pergunta?
- Hihihi!

Ficou 40 minutos no telefone só respondendo perguntas idiotas. Tava cansado já. Estava mais do que na hora de acabar com isso.

- Ok, eu tenho que ir pra casa, tá bom? Posso ir?
- Não.
- Por qual razão?
- Você está muito longe de casa.
- Ah, vai dormir, moleque! Cansei dessa brincadeira!
- Não, por favor, seja meu amigo!
- Não sou seu amigo, você é esquisito. Tchau!
- Não desliga, por favor, Otávio!

Arregalou os olhos. Olhou incrédulo para o celular, que tinha o visor quebrado, bom lembrar. Ele havia o chamado de “Otávio”. Esse não era seu nome. Começou a rir.

- Ok, moleque, acho que você se enganou. Você não tem mesmo amigos!
- Mas, mas, você não vai conseguir sair daí…
- Tchau. Se cuida. Vai pela sombra. Sei lá, se fode aí, vai.

Jogou o telefone no lixo, sem remorso.

Caminhou até a frente da rodoviária.

Espera um pouco, tem alguma coisa errada.

Não reconhecia a cidade. Esses prédios, esses taxis dessa cor, essas pessoas, esses jornais. Que lugar era aquele? Até que viu na placa:

ESTAÇÃO RODOVIÁRIA DE ANTA GORDA.

Deus do céu, que lugar era esse? Foi perguntar o preço da passagem para sua cidade natal, o cara do guichê disse um valor absurdo. Mesmo assim catou dinheiro nos bolsos. Sem querer deixou cair sua carteira de identidade. Ao juntá-la, ficou pálido. E mudo.

Estava escrito que seu nome era Otávio.

Quase enfartou.

Otávio.

“Porra, desde quando meu nome é Otávio?”

Saiu correndo de volta ao lixo onde jogou o celular pra ver se achava o maldito, mas nada achou. Ouviu ao fundo o “hihihi” daquela voz irritante, ao som de macarena.

Se deu mal, Otávio.

Escrito por Caetano

11/01/2009 em 12:50

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Aprontando todas no corporativismo

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Reginaldo suava. Tá certo que o calor era terrível, e aquele terno com aquela gravata apertando em nada ajudava, mas o motivo maior era o nervosismo. Era sua primeira entrevista de emprego. A primeira fase ele já tinha passado. Escreveu em uma linha a razão de querer aquele emprego. Nem lembrava mais o que escreveu, devia ser uma grande bobagem como “pois quero demonstrar meu talento para essa empresa de qualidade blábláblá”. Ouviu de seu irmão que as tias do RH adoravam isso. Parece que funcionou.

A sala em que ele esperava era bem clichê. Paredes em mogno, revistas velhas, uma planta que estava tão morta que não dava para identificar se era samambaia ou babosa. Devia ser samambaia, quem teria babosa em uma sala de recepção? E tinha uns bancos daqueles que pareciam de rodoviária, só que com um uma napa em cima. Falsa idéia de conforto, do tipo que o cara se joga achando que é macio e quebra a cara. Ou a bunda, sendo mais direto. Eram cinco pessoas na sala no momento, antes eram dez. A maioria saía da sala apavorado. Mais magros, pálidos, com os olhos esbugalhados. Os outros quatro foram chamados todos de uma vez. Ficaram dois minutos. Saíram da mesma maneira. Reginaldo se encolheu. Era sua vez.

Entrou na sala e viu em uma mesa um senhor calvo, escrevendo coisas em um caderno. O que mais lhe chamou a atenção na mesa era uma águia em bronze de horrível aspecto. O senhor o olhou por cima dos óculos, cabeça baixa ainda.

- Gostou da escultura?

- É. Gostei. Acho. Bem intimista.

- Fui eu que fiz.

Dava para notar.

- Sente-se, por favor. Já vamos começar a entrevista.

Reginaldo se sentou, e finalmente era uma cadeira macia. Mas não se sentia confortável. Muito provavelmente porque o homem o fitava sem parar, olhando nos olhos, e fazendo o som de HUUUM. Era o HUM mais longo que ele já tinha presenciado.

- Meu nome é Adair.

- Ah, legal. O meu é Reginaldo.

- Não gostei do nome.

Mais meia hora de hums e olhares inquisidores de Adair. Reginaldo estava se sentindo terrivelmente mal.

- Me diga, Reginaldo, o que acha dos poemas de Kafka?

- Hã, bem, Kafa era poeta?

Adair sorri. Começa a gargalhar. Reginaldo se assusta mais ainda, se é que era possível isso.

- Ironia! Excelente! Admiro muito.

- É que, veja bem, eu realmente nunca li Kafka.

- Você é ótimo! – e gargalhava mais ainda - Gostei de você. Levante-se, por favor.

- Me levantar?

- É.

Reginaldo se levanta. O senhor o encara.

- Dá uma giradinha.

- O que?

- Agora – faz o sinal de rotação com o indicador - Dá uma giradinha.

E ele dá a girada, devagar, completamente sem graça.

- Ótimo, agora tire o paletó.

- Senhor.

- Vamos, quero ver se é apto para esse emprego.

- Ok.

- Agora pega o paletó, joga sobre o ombro, afasta as pernas e coloca a mão esquerda no bolso.

- O que?

- Vamos.

Reginaldo estava mais vermelho do que pimentão. Ficou nessa pose por uns trinta segundos. Os trinta segundos mais longos de sua vida.

- Ok, pode se sentar. Me diga uma coisa, você gosta de musicais?

- Não.

- Ótimo! – gargalhava novamente. Parecia vilão de filme barato - Já jogou golfe?

- Nunca.

- Excelente! – pega o telefone – Judite! Prepare dois jogos de tacos de golfe e desmarque o que tenho para hoje. – vira-se para o Reginaldo - Vamos, vai ser uma ótima partida.

Adair o levou para um grande campo de golfe que ficava no pátio da empresa, andaram de carrinho e tudo mais. Reginaldo até que tinha jeito pra coisa. Adair era muito bom. Acertou até um eagle. Conversaram por horas enquanto jogavam, até que Adair não era tão estranho. Depois tomaram sorvete, Reginaldo contou sobre o dia que ficou preso no elevador, estava mais à vontade com a presença de Adair. Voltaram para o escritório só depois de umas duas horas e meia.

- Ok, Reginaldo, por mim, você já está contratado.

- Que bom!

- Pode começar amanhã. Tudo que preciso é que me faça umas planilhas em Excel.

- Olha, Adair, eu não sei Excel.

- O QUE? – Adair tirou os óculos e arregalou os olhos espantado – Como não sabe Excel?!?

- É, bem, nunca precisei, sabe?

- Mas no seu currículo diz que você tem conhecimento avançado em Excel!

- É, menti, né, nunca achei que iam precisar.

- MENTIROSO!

- O que?

- Mentiroso maldito! – Adair subitamente levanta-se da cadeira e aponta o dedo em riste para a porta – Saia já daqui!

- Mas, mas.

- Sem mas! Eu confiei em você, e você mentiu o tempo todo! Saia já da sala ou chamarei a segurança!

Reginaldo saiu correndo. Não estava entendendo nada.

Adair jogou-se em sua confortável cadeira, apático. Abriu uma garrafa de black label, bebeu no bico mesmo. Pegou sua águia de bronze no colo e começou a acariciá-la. A decepção em seu rosto estava além de qualquer descrição. Falava baixinho.

- Ah, a humanidade. Sempre assim, sempre nos traindo. Onde fomos parar, Juju? Onde? Me diga onde?

A águia não respondeu. Nem podia. Era uma estátua de bronze, oras.

Escrito por Caetano

10/26/2009 em 19:48

Publicado em genérico

Re: envio de currículo

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Olá, caetano!

Gostaríamos de agradecer o seu interesse pela vaga que temos em aberto. Sabemos como anda difícil o mercado de trabalho ultimamente, por isso não costumamos descartar nenhum currículo que nos é enviado.

Porém gostaríamos de salientar alguns pontos em seu currículo que achamos que deveria saber, se ainda pretendes encontrar emprego:

1- não é necessário, realmente, enviar uma foto sua tamanho a4 de pijama;

2- ter jogado ininterruptamente as provas de 24 horas em gran turismo 2 pro playstation não é algo que realmente interesse na hora de contratar alguém;

3- assim como contar a história da sua banda que só fazia músicas sobre caspa;

4- “skill 5 em robot dance” é algo que desconhecemos;

5- Procuramos alguém com fluência em espanhol, não em 1337;

6- e, por último, seu perfil não encaixa com a vaga oferecida: zelador de zoológico. Reveja suas prioridades.

Obrigado novamente, e espero que encontres emprego logo. Pelo seu currículo, nota-se que não tem um já faz algum tempo.

Abraço

Ana Paula

Escrito por Caetano

10/24/2009 em 19:03

Publicado em Falha

A Última Carta

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Acabei de ter um breve sono. Mesmo assim tive um sonho muito bom. Um dos melhores que já tive, para dizer a verdade.

Era bem simples. Era eu em uma mesa de bar. Em nenhuma ponta, no meio mesmo. Junto comigo estavam todos aqueles que ficaram ao meu lado e participaram dessa grande catarse. Mais velhos, mas nenhum diferente. Estavamos rindo, contando coisas babacas da vida entre uma cerveja e outra, rótulos grudados na testa, um cutucão, um fato vergonhoso, risadas muito altas, todos como grandes amigos dos tempos de escola.

Acho que sei porque sonhei isso. Talvez porque esteja, aparentemente, tudo bem com a Hoodie Girl. Não sei exatamente se está tudo bem, deixei de acompanhar a vida dela no instante em que deixei de fazer parte, mas de longe parece que as coisas vão se arrumando, voltando ao seu lugar. E é sincero isso. Ela sabe melhor do que ninguém que não sei fingir esse tipo de coisa.

É bacana notar isso. Que volto a ter a mesma coisa de antes. Aquele sentimento platônico, algo intangível, inefável, imensurável. Algo como se importar com alguém que talvez nem saiba da minha existência. Um motivo. Mesmo assim não me arrependo de nada que fiz, de nada que vivi. Pela primeira vez consegui fazer o que tinha tudo para ser um fantasma acabasse por se tornar uma boa lembrança, um momento único, o qual não me importo se vai se repetir ou não, se vou ter o mesmo com outra pessoa. Até porque não vai ter mesmo.

Não sei se é bom ou é ruim o fato que nunca disse para ela aparecer na minha casa, trazer um filme, dizer que fiz um bolo de chocolate pra ela. Dois, na verdade, porque o primeiro quase botou fogo na casa toda. E não esquecer a vodka. Ou encontrar ela em alguma rua, meses ou anos depois, com um corte de cabelo diferente, um vestido que nunca tinha visto antes, irritantemente mais linda do que já era, pra me contar como está sua vida e tudo mais. Não sei. Não teorizo. Já o fiz demais.

Repito o que disse na segunda carta: torço por ti. Continuo esperando que fique tudo bem, não importa o que faças, não importa o que decidas. E tenho esperanças que notes logo o que só descobri agora. Que não se vai a lugar nenhum sozinho, retraído, guardando tudo, se escondendo, fugindo, mudando a cara e a vida, procurando recomeços e tangentes impossíveis. Eu sei muito bem o que é isso, acredite. Existem pessoas que te querem por perto de verdade, de graça, porque te acham importante. Não pelo que representas, mas pelo que és. Não porque te entendem, mas porque te aceitam. Encontrando essas pessoas, tu vais notar quem está perto de ti por interesse ou coveniência. E essas pessoas sim tu afastas, pois de nada servem.

Dorme bem, Hoodie Girl. Todo amanhã é um novo dia, mas nunca esqueças o que fizeste ontem, a memória é nossa única fonte confiável. Guarde com carinho as coisas a que te apegas. E saibas que aqui tem alguém ao teu lado.

Mesmo sem saber quem tu és realmente.

O que, na realidade, não é importante. =)

E assim encerra o ciclo da catarse.

Escrito por Caetano

10/24/2009 em 05:47

Publicado em catarse

Lições de vida

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Uma coisa que aprendi é que você tem que fazer a coisa certa na hora certa. Parece complicado, mas sempre se dá um jeito.

A mais importante é quando tu achas aquela pessoa especial. Como proceder? Como agir pra que tudo não vá por água abaixo?

Bem simples: chega junto, dá dois pra cima, dois pra baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B, A. Se o cachorro latir, o truque deu certo.

Escrito por Caetano

10/21/2009 em 14:22

Publicado em catarse